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O capitão da seleção uruguaia de futebol na Copa do Mundo da África do Sul, Diego Lugano, é considerado pela torcida uruguaia uma de suas maiores estrelas.
O zagueiro nascido no estado de Canelones, revelado como jogador pelo Clube Nacional de Futebol de Montevidéu, emprestado pelos tricolores uruguaios ao Clube Plaza Colônia da cidade de Colônia do Sacramento no interior uruguaio, vendido pelo Nacional para o São Paulo Futebol Clube da capital paulista onde conquistou os títulos de Campeão de América e do Mundo, agora está jogando pelo Clube Fenerbahçe da Turquia, mais ainda fica no coração dos torcedores são–paulinos.
Então, no Uruguai, a pergunta nasce sozinha. Será como nas Copas de 1974 na Alemanha, quando Pedro Virgilio Rocha e Pablo Forlán, e de 1986 no México quando Alfonso Dario Pereyra, defendiam ao Uruguai, e os torcedores são-paulinos torciam por eles, será assim neste Mundial de África do Sul?
Nós uruguaios temos a ilusão que sim… que seja assim.
Porque ao final, Lugano é um tricolor-celeste!!!
Juan Carlos Vecino
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Em meio a zumbis, um único sobrevivente. Solitário, acuado, quase sem perspectivas.
Debilitado, ele erra. Parece ter esmorecido, perdido as forças, diante da derrota iminente, cercado por tantos mortos-vivos à sua volta.
Tudo parece perdido. Na verdade, tudo está perdido. E sua expressão demonstra a desesperança, quando encosta a cabeça no poste, após falhar quando não podia.
Herói de uma nação, ídolo de uma coletividade, apaixonado por suas cores, ele lamenta ser, em uma noite de tanto terror, de tamanha decadência e desesperança, o algoz a desferir o golpe fatal contra tudo o que ele mais ama.
Seu rosto mostra olhos marejados, evidencia o abatimento.
Aqueles que o reconhecem e jamais o deixarão sozinho; aqueles que sabem ser ele o líder que se manteve firme nos tempos difíceis e nos levou a todas as maiores glórias; aqueles que jamais esquecerão o que ele representa também têm olhos marejados.
Mas fenômeno estranho começa a acontecer. Sei, porque fiz parte dele. Estava apático, esperando pelo pior, como tudo fazia crer que as coisas se desenrolariam. Mas ao perceber que os ímpios, os párias, os idiotas que pedem seu retiro levantariam suas vozes, desencostei da cadeira e, tenho certeza, outros milhões o fizeram, dentro e fora da arena.
– Não, não você. Em meio a tanta mediocridade, em meio a tanto ócio, em meio a tanta incompetência, em meio a tantos mortos-vivos, não será você a ter o nome manchado por uma humilhação patrocinada por gente que nada tem a ver com essa camisa, com essas cores.
Larguei a tristeza de lado, veio a raiva. E a expressão do homem sob os arcos também mudara. Sereno, lúcido, lábios cerrados, olhos fixos no inimigo que se aproxima, ele desvia rapidamente o olhar para o emblema no canto superior de sua camisa. E volta a encarar o inimigo. Que não o encara. Que parte para agredi-lo, mas hesita… E erra.
A sombra do homem de luvas cresce, mas sua expressão ainda é tranquila e firme.
Vem o segundo inimigo. Grande estatura, aspecto rude, ameaçador. E tenta encarar o homem de luvas. Não consegue e baixa o olhar. Mas aí vê o emblema em sua camisa negra. Não há mais volta e ele parte para a ofensiva. Desfere o tiro. E erra.
A sombra do homem de luvas torna-se imensa, transborda da arena, e as hordas inimigas parecem não sentir mais as pernas.
Os mortos-vivos abandonam a letargia, recobram certa humanidade.
Até o maior dos parasitas, cabelos descoloridos, como a própria alma – desprovida de vontade – parece readquirir o interesse na vitória.
Mais um inimigo tenta o ataque. De fato, diante do homem de luvas, as pernas não respondem mais. E o tiro desferido perde-se no nada.
Cambaleante, o inimigo sofre o último revés e tomba sem vida.
A sombra do homem de luvas espalha-se para atemorizar aos que ainda virão. Para lembrar que, nas batalhas do ano anterior, ele não estava presente. Mas agora estará. Sabe que é o líder de uma tropa maltrapilha. Uma Cruzada de mendigos. Um exército de Brancaleone.
Mas lembra que não cai sem lutar. E que é capaz do inimaginável quando enverga aquela camisa, aquele emblema de três cores.
Perece dizer, com o tom da voz crescendo a cada frase, enquanto olha para as bandeiras a tremular, enquanto ouve os urros de gratidão dos seus:
“Não sou um goleiro.
Não me chamo Rogério Ceni.
Eu sou o vermelho, o branco e o preto.
EU ME CHAMO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE.
EU SOU A LENDA!!!”
Dario Campos
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Já não há muito o que dizer sobre o São Paulo da (Já) Era Ricardo Gomes. Mas sempre vale a pena insistir em certos temas, sobretudo quando o que é ruim se repete desavergonhadamente, sem que nada se faça a respeito.
Após o jogo contra o Corinthians, eu chamava atenção para a diferença de posicionamento e atitude dos dois times, evidenciada quando a TV fazia tomadas aéreas panorâmicas. Quando o São Paulo tinha a bola, os corinthianos aproximavam-se em bloco para reduzir os espaços. Pelo menos dois adversários aproximavam-se do são paulino que recebia a bola. E nossos jogadores estavam sempre estáticos, quase não se deslocavam. Na situação oposta, os rivais se deslocavam, alternavam posição, faziam diagonais, enquanto nossos jogadores a tudo assistiam guardando incompreensível distancia, como a que permitiu o chute limpo e sem marcação de Elias.
O que o Corinthians (e depois o Santos) mostrou chama-se coesão, o sistema defensivo mostrou senso de cobertura e o grupo mostrou comprometimento, assim como Mano Menezes, que se preparou para enfrentar o São Paulo.
Coesão, cobertura e comprometimento são três palavras-chave a qualquer time de futebol, sobretudo àqueles que querem se candidatar seriamente ao título de um torneio continental.
Ao São Paulo, claramente, sobravam as três qualidades, em 2005 – e 2006, quando a derrota foi honrosa, em jogos duros e, em grande parte ocasionada pela inteligente agressão de Tinga a Mineiro na primeira partida.
Ao São Paulo, claramente, faltaram as três em 2007, 2008 e 2009 na Libertadores. E continuam faltando. Fatos como a irresponsável entrada de carrinho de Richarlyson, no campo do adversário, em um local do campo onde nada aconteceria, evidenciam falta de comprometimento. A escalação de Richarlyson e a clara opção do time pelo empate, no segundo tempo, essa acomodação contra uma equipe frágil e absolutamente desprovida de força, é a mais pura demonstração da total ausência de comprometimento de Ricardo Gomes com a sua obrigação de técnico – a de raciocinar para fazer com que o time evolua. Aliás, a mesmice e a falta de atitude em relação a certos atletas já demonstram essa característica de RG há muito tempo.
A falta de coesão – os gigantescos espaços entre os setores e a morosidade, tanto no contra-ataque quanto na recomposição defensiva – é decorrente da falta de comprometimento de RG e do grupo. Assim como as infindáveis falhas de cobertura às costas dos laterais e quando se faz necessária a antecipação dos zagueiros. Se erram o tempo da bola, temos um atacante adversário sozinho na cara de Rogério Ceni, pois falta proteção à frente da zaga e é essa mesma proteção que se transforma em cobertura quando os zagueiros a abandonam.
O mais triste é que Mano Menezes faz de nosso desprezível rival a antítese de tudo isso. É um time com a cara da Libertadores, porque tem um técnico que trabalha muito e sabe tanto motivar e cobrar como estruturar taticamente uma equipe. Não para que seja criativa e fantasista. Mas para que seja sólida, dinâmica e eficiente. Para que tenha coesão, cobertura e comprometimento. Para que seja campeã.
Como Leão nos fez ser em 2005 – com a importante participação coadjuvante de Paulo Autuori. E com o fundamental protagonismo de Rogério Ceni, Diego Lugano, Josué e Mineiro – os pilares daquele time “cascudo” que nos enchia de orgulho. Mesmo quando não vencia.
Dario Campos
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Os dados e estatísticas ficam de maneira permanente acima de nossa mesa de trabalho.
Mais uma vez olhamos neles e uma data, dois nomes, um titulo, chamam nossa atenção.
A data: 12 de dezembro de 1993.
Os nomes: São Paulo Futebol Clube e Gustavo Matosas.
O titulo: Campeão Mundial de Clubes.
Temos diante de nossos olhos a foto tirada em Tókio, Japão, após a decisão da Copa do Mundo de Clubes de Futebol do ano 1993 entre o São Paulo FC e o Milan da Itália.

Ficam ali: Goiano, Zetti, Cafu, Jura, Leonardo, Muller, Palinha, Guillerme, Doriva, Rogério Ceni, Gilmar, André Luis, Dinho, Ronaldão, Toninho Cerezo, o grande Telê Santana; e num cantinho da foto, fica Válber que abraça ao Juninho Paulista e ao uruguaio Gustavo Matosas.
Sim, outro uruguaio numa consagração do São Paulo Futebol Clube, o filho do grande Roberto Matosas: Gustavo.
Naquele dia o São Paulo venceu por 3 a 2 ao Milan no Estádio Nacional em Tóquio, Japão, com gols de Palhinha aos 19´ do 1º tempo, Toninho Cerezo aos 14´ do 2º, e Müller aos 41´ do 2º tempo.
Mais um uruguaio campeão com o São Paulo FC!
Juan Carlos Vecino
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Foi lançado o desafio para o Bolão Arquibancada Tricolor 2010!
As inscrições estão abertas e somente serão válidos os jogos do Tricolor a partir do início do Brasileirão!
O vencedor levará para casa uma camisa oficial do Tricolor e os demais primeiros colocados (até o 5º lugar), ganharão prêmios!
Não perca a oportunidade e acesse agora o Fórum Arquibancada Tricolor para saber mais!
Bolão Arquibancada Tricolor – Inscrições e Regulamento
O mundo do futebol é repleto de desculpas. Algumas verdadeiras, outras nem tanto. Se o time perde a desculpa pode ser o calor, o frio, a chuva, a falta de chuva, o árbitro, o jogador pouco inspirado, o técnico ausente, a chuteira apertada, a falta de condicionamento físico, entre outros. Há um leque imenso e variado de desculpas que sempre estão na ponta da língua dos técnicos e jogadores.
E o torcedor são-paulino anda ouvindo muitas desculpas. Primeiro, no ano passado, o time não conseguiu boa campanha no campeonato Brasileiro e perdeu um título quase ganho porque houve troca do comando técnico e Ricardo Gomes ainda não teria conseguido moldar o time ao seu gosto, muito menos havia recebido os reforços que desejava.
No começo desse ano, a má campanha no Paulistão e no começo da Libertadores foi justificada justamente por ser começo de ano. Ou seja, os atletas ainda não estavam na forma ideal e os reforços não haviam chegado. Engraçado dessa desculpa é que todos os times estavam em começo de temporada e o São Paulo havia sofrido poucas baixas no elenco que até então era titular e jogava razoavelmente bem.
Depois a desculpa foi que havia reforços, mas eles ainda não estavam totalmente entrosados com o time titular, muito menos estavam na sua melhor forma física. Apesar de já estarmos em Março e o treinador não tem, sequer um time titular que jogue decentemente e que não faça feio na Libertadores, nem no Paulistão.
Agora, as duas últimas desculpas foram a doença de Ricardo Gomes, que se afastou do time e isso pode ter abalado os jogadores, se bem que eu, na minha opinião não vi diferença nenhum entre o time comandado por Ricardo Gomes e Milton Cruz.
E finalmente, a última desculpa foi dada pelo técnico Ricardo Gomes, que afirmou que “calendário ruim e falta de físico ideal dos reforços” é a causa do mau futebol do São Paulo.
Será que o torcedor não está cansado de tantas desculpas? O calendário é igual para todas as equipes. Ele ainda diz que se pudesse descartar o Paulista seria mais fácil o time jogar bem. E quem disse que ele não pode, de certo modo, descartar o Paulista? Há reservas e jovens das categorias de base; porque não fazer com que esses atletas disputem essa competição? Seria muito melhor ver os moleques em campo do que o sofrível futebol apresentado pelos titulares. E já aviso que de nada adianta um grande esforço para ficar o G4 do Paulistão se for para ser eliminado por um time “inferior” nas fases finais – a vergonha e a decepção do torcedor serão maiores.
Pronto, já temos a solução para a desculpa que Ricardo Gomes arranjou para o possível – e porque não? – fracasso do time nas duas competições desse começo de ano. Motivos a parte, seja por falta de condicionamento físico, seja por calendário ruim, o torcedor não agüenta mais desculpas e o mesmo discurso ensaiado. Não há tantos motivos, muitos menos tantas desculpas assim para o mau futebol apresentado pelo time.
Até quando o torcedor vai engolir essas desculpas? Será que realmente elas são reais ou o elenco, o técnico e diretoria já estão querendo arranjar uma desculpa para um futuro fracasso? Se for isso, é melhor fechar o clube para balanço, já que é inaceitável ver um time grande “entrando para perder” em qualquer competição que seja.
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A bola, dentro do gol, movimenta-se para cima e para trás, e, deslocada pela cabeça de Alex Silva, na entrada da pequena área, voa em diagonal para o pé esquerdo de Iarley, fora da grande área. Ele então corre de costas e toca a bola para o seu pé direito, enquanto Jean passa voando, em um salto circense.
Assim é o quarto gol do Corinthians, visto de trás para frente, em mais uma das incontáveis derrotas do São Paulo em clássicos (e/ou partidas decisivas), ao longo dos últimos meses. Descrever o lance ao contrário é uma forma de dizer: “EU JÁ SABIA”.
Bastam poucos minutos de serenidade e aplicação a um adversário razoavelmente forte, para que o São Paulo seja desmontado, para que o fracasso se imponha ao “macunaímico” grupo tricolor – o time sem caráter e sem moral, debilmente conduzido pelo simplório Ricardo Gomes, homem de fino trato, devemos reconhecer, mas um dundee em meio a plebeus, um “pobre homem rico” engolido pelos lobos que não consegue domar.
Engraçado que, diante de um gol como esse, há raiva, tristeza, mas não propriamente decepção. Pois decepção denota surpresa, e, cá pra nós, ninguém deve ter se surpreendido em tomar esse gol. Ao menos, não se surpreendeu em perder mais essa partida.
É a crônica de uma morte anunciada.
Escrevi há alguns dias em post no Arquibancada Tricolor: “… se a Galinhada estiver a fim, vai ser de muito. Porque, quando precisa, o time da macumbaria (como diria a imbecil da mulher do Kaká – aquele bosta evangélico, ‘acionista’ da Renascer) quando preciso, tem macho – e sobretudo TÉCNICO – pra fazer o time jogar. Se quiserem, dão um cacete de categoria no domingo. E, se for para acontecer com o RG o que aconteceu com o passarela, quando metemos 5 cocos neles, em 2005, estou bem disposto a tomar uma naba.
O problema é que, para ele cair, temos que tomar mais uma goleada de 7, no melhor estilo Nelsinho Batista, e infelizmente, as Galinhas vão ter de fazer uns 3 e descansar pra Libertadores.”
Pois é, eles fizeram 3 e foram descansar pra Libertadores.
A morte estava anunciada, como a de Santiago, no livro de Garcia Márquez. E, assim como na obra do mestre colombiano, todos à volta do morto sabiam, todos conheciam ou haviam testemunhado fatos que levavam a crer que o assassinato aconteceria, menos a vitima. No livro, a culpa é de Ângela Vicário, cujo caráter fraco e egoísmo permite que um inocente pague por sua omissão. No São Paulo, a fraqueza de caráter é, também, a origem da destruição. Ricardo Gomes é Ângela Vicário.
De novo fraco, de novo sem inspiração, de novo sem qualidade, de novo sem jogadas trabalhadas, e, como sempre, sem vontade, sem pegada, o São Paulo foi – SIM, FOI – presa fácil para o seu rival. Que os ingênuos (e os imbecis) não venham a defender a pretensa reação que levou ao empate, porque não houve luta, garra ou superação. Houve um adversário arrogante (ou preocupado com algo mais importante), que ainda teve tempo de vencer, mesmo depois de jogar a vitória no lixo.
O Corinthians, de tão seguro, afrouxou, deixou o São Paulo jogar (da forma óbvia de sempre) e Mano Menezes, que poderia ter obtido uma goleada, resolveu poupar Elias, seu melhor atleta – aliás um dos melhores jogadores de meio-campo do país, um novo Mineiro, que nos escapou e acabou na Zona Leste. Só porque o Corinthians não quis, não vimos um massacre, como já acontecera nos 3 a 1 do Campeonato Brasileiro.
Estava anunciada a morte no Brasileiro, quando o time foi incapaz de derrotar o triste Botafogo no Engenhão. Via-se um Flamengo afobado, mas empolgado, vibrante, consistente, enquanto o São Paulo demonstrava uma atitude absolutamente desinteressada e um técnico morno. Deus nos deu o titulo – quando, no mesmo domingo, houve o empate do Flamengo com o Goiás. Mas recusamos. Perdemos para o Goiás com uma facilidade constrangedora, com as laterais expostas desde o primeiro minuto, e RG incapaz de proteger o sistema defensivo e criar situações de contrta-ataque.
Estavam anunciadas as derrotas em clássicos – esta contra o Corinthians de Mano Menezes (que no mínimo, chega à semifinal da Libertadores – mas infelizmente acho que irá levantar o caneco) é apenas mais uma.
Nossa queda na Libertadores será mais uma morte anunciada. Já nesta fase ou, na melhor das hipóteses, nas quartas-de-final – se a sorte nos sorrir nos cruzamentos das oitavas.
Esperanças? Não com esse comando. Não com esse técnico. Não com Léo Lima. Não com Washington. Não com Hernanes como meia. Não com Jean na lateral. Não sem jogadas ensaiadas e deslocamentos constantes. E, principalmente, não com uma diretoria dispersa, pensando exclusivamente em como encher os bolsos, por ocasião da maldita Copa 2014.
Para reforçar, lembrem-se das imagens aéreas na TV:
1- São Paulo com a bola: jogadores fixos, esperando o passe praticamente sem sair de uma única posição, de costas para os marcadores. Quando a bola passa o meio-campo, três, quatro, cinco jogadores do Corinthians vão se aproximando, acuando os jogadores do São Paulo, que tocam para o lado ou para trás. Em todo o jogo, apenas a jogada de Dagoberto (individual, não coletiva) no gol de Jean, foi vertical, teve profundidade.
2- Corinthians com a bola: jogadores de meio e ataque se deslocam em diagonal, os volantes se alternam nas laterias e de repente correm para o meio para fazer 1-2 e concluir jogadas. Há ultrapassagens, tabelas, e espaço, muito espaço para a evolução e o chute de meia distância – o gol de Elias e o de Alex Silva (contra) evidenciam uma marcação distante, que deixa o adversário pensar e criar.
Mano Menezes é um técnico preparando um time para ganhar o torneio continental, usando os jogos importantes pra apurar o time. Há alternativas, há referências (o Gordo, Danilo, Elias), há jogadas nas laterais e pelo meio, há chutes de meia distância (dois gols e uma bola na trave assim). Fomos um treino de luxo.
Ricardo Gomes não tem um 11. Não tem padrão. Não ensaia jogadas. Não tem esquema de proteção à zaga (hoje, de novo, muito exposta – e só não foi pior graças a Rodrigo Souto).
Santiago morreu, porque não sabia que sua vida estava em perigo, ignorava ser alvo de uma vingança, ensejada por uma mulher que foi capaz de sacrificar um inocente, em benefício de um homem que lhe interessava.
O São Paulo morreu porque ignora a forma como jogam os adversários. O mundo – até Garcia Márquez – sabe que Elias vem de trás e Ronaldo faz pivô para o volante/ponta-de-lança concluir ou penetrar. Nossa defesa, a despeito de ser vazada a todo momento por Elias, ainda não sabe. Como Ângela Vicário, Ricardo Gomes nos condena por sua falta de personalidade, por não ter a coragem de fazer o que deve ser feito: afastar quem deve ser afastado; denunciar à diretoria quem deve ser denunciado – por vagabundagem e falta de profissionalismo.
E nossos diretores, como Pedro e Pablo (os irmãos assassinos de Ângela) nos matam, ao priorizar o que não deve ser priorizado, ao agir cegamente para satisfazer à própria obsessão, sem se preocupar com o mal que farão ao time e à nação tricolor.
Não podemos é fazer o que fazem os conterrâneos de Santiago que, diante de todas as evidências de que o mal está para ser perpetrado, preferem acomodar-se na incredulidade, no achar que as promessas de morte dos irmãos Vicário são bobagens, ameaças vazias.
O torcedor são paulino que se fizer de cego, surdo e mudo, que se esconder na “fidelidade anticornetagem”, ou se acomodar com glórias passadas (que não pertencem nem a esse técnico, nem a esse grupo), será cúmplice dessa morte anunciada.
Dario Campos
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Sempre nós uruguaios pesquisamos no tempo até onde remonta-se esse vinculo permanente entre os uruguaios e os são-paulinos, no futebol.
Mergulhamos no tempo e pesquisamos, num momento histórico de gloria para o futebol uruguaio, o que pode ser o inicio –além de que seja arbitraria nossa escolha- dessa relação, quase amorosa, entre os uruguaios e os são-paulinos.
Data: 16 de julho de 1950.
Local: estádio do Maracanã em Rio de Janeiro.
Momento: decisão da Copa do Mundo do Futebol.
O Brasil jogava diante de 200.000 torcedores pelo empate para ser Campeão do Mundo, diante do Uruguai.
E a primeira alegria para o povo brasileiro chega da mão –ou melhor, do pé- do craque do São Paulo Futebol Clube, Albino Friaça Cardoso “Friaça”, Brasil 1 a 0.

Depois o time do Professor Juan López viraria com gols de Juan Alberto Schiaffino e Alcides Edgardo Chiggia, e outra foi a historia.
Os uruguaios, alem da alegria da consagração, nesse dia olhamos o inicio do profundo respeito ao futebol brasileiro, nesse dia vencido, mais dali para frente, vencedor sempre.
O respeito ao ídolo são-paulino Friaça, ao São Paulo Futebol Clube, ao futebol brasileiro, de nosso povo, o povo uruguaio.
Por esse respeito, lembramos as palavras de nosso inesquecível Capitão Obdulio Jacinto Varela: “não posso ficar contente, vendo eles tão tristes”.
VIVA SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, VIVA URUGUAI!!!

Juan Carlos Vecino
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A nação tricolor está em conflito.
Por falta de maior inspiração, permito-me iniciar essa coluna com a frase acima, de apelo fácil, dramaticidade exagerada e gosto duvidoso.
Mas tanto nas arquibancadas, como nas cativas, tanto nos fóruns como nas comunidades virtuais, multiplicam-se as discussões (que frequentemente descambam em conflitos) entre torcedores, que, de forma simplista, podemos dividir em três grandes correntes:
- os fanáticos fundamentalistas, defensores ferrenhos da “honra” do São Paulo, que vêem em qualquer crítica ou atitude de ceticismo uma traição às tradições e aos símbolos do clube (embora em muitos casos, mas muitos mesmo, desconheçam qualquer fato que remonte a mais de 10 anos)
- os moderados (sempre há moderados), logicamente mais frios e analíticos
- e os críticos mais ácidos, sempre preocupados com o destino do clube e prontos a massacrar quem (dentro ou fora de campo, comprovadamente ou não) represente uma ameaça ao de¬sempenho no presente e a todo o futuro da instituição – os tais “cornetas” – grupo no qual, por temperamento, me incluo.
Independentemente do “estilo”, entretanto, devemos considerar: embora não exista unanimidade no futebol – aliás, em quase nada –quando as discordâncias e trocas de ofensas entre pessoas que têm a mesma paixão se tornam freqüentes, e, quando, mesmo depois de ganhar três títulos nacionais consecutivos (e entregar o quarto), o time não convence uma enorme parte de sua torcida, certamente o problema não é com o perfil de quem torce, e sim, com o de quem dirige, treina e joga.
Todos temos nossas convicções, opiniões pessoais e pretensões sobre a melhor escalação, a estrutura tática mais adequada, sobre a qualidade técnica deste ou daquele jogador. Mas, desde o final do Campeonato Brasileiro e ao longo deste ano, independentemente de subjetividades, o que vem chamando a atenção é a falta de alma, de espírito competitivo, de hombridade do São Paulo dirigido por Ricardo Gomes. Algo que se fizera notar claramente na Libertadores 2009, com Muricy, que perdurou no início do Brasileiro 2009, teve uma considerável melhora após a saída do “Homem-Trabalho”, mas voltou a nos acometer ao final do Brasileiro. Quando tudo estava em nossas mãos, faltou pegada, faltou foco, sobraram desculpas, sobrou pusi¬lanimidade (em português mais popular, sobrou atleta tirando o seu glorioso traseiro da reta).
Fui a todos os jogos no Morumbi no ano passado e este ano, fui a Barueri, e não vi uma só partida em que houvesse atitude deter-minada, convicção e, sobretudo, concentração efetiva, permanente. O grupo está disperso, alguns jogadores simplesmente parecem entrar em um universo paralelo quando estão em campo, como se nada tivessem a ver com tudo que ocorre à sua volta.
O time de 2004 me animava muito pelo espírito de luta. Cuca, com todas as suas limitações, criou um espírito guerreiro. Lembro-me de pelos menos 5 jogos em que terminamos com jogadores a menos (contra o CAP no Morumbi, eram 2 a menos) e vencemos. O time se descontrolava, era nervoso, mas brigava.
Aí veio Leão, e acertou o time, deu confiança a quem não tinha, chutou uns traseiros de jogadores que estavam acomodados (Souza e Júnior têm hematomas até hoje) e, com o comando de Ceni e Lugano, com a força de trabalho de Josué e Mineiro, criou-se uma lenda, o São Paulo “cascudo”, o time que jogando com um a menos contra o Palmeiras na Libertadores, fez o Morumbi levantar em peso para levá-lo à vitória. Ouvi muita gente dizer na época: “finalmente a torcida do São Paulo aprendeu a torcer”. E respondi: “não, imbecis, finalmente, há um time de homens lá no gramado, sujando o uniforme, ralando o rabo no chão, indo atrás do resultado como quem vai atrás de um copo d’água depois de 15 dias no deserto”.
Não se iludam, torcida não empurra time que não luta.
A do Liverpool cantava “You’ll Never Walk Alone” quando o time tomava de 3 do Milan porque via o time se arrebentando pra reagir. E quando o Milan acomodou no resultado, fez-se a química, e os ingleses empataram, quase virara, e venceram nos pênaltis. Curiosamente, foi naquele mesmo dia, algumas horas após, que, ao nosso jeito, cantamos “You’ll Never Walk Alone” quando Josué foi expulso contra o Palmeiras e ajudamos o time a trucidar o rival.
Só ajudamos com tanta força, com tantas vozes chegando à rouquidão porque víamos a garra da liderança de Rogério, a expressão e os carrinhos de Lugano, a correria de Cicinho, o desdobrar de Mineiro, e sabíamos que eles honravam a camisa que vestiam. Jogávamos pelo empate e tínhamos um a menos. O que fizemos? Fomos pra cima, pra dentro, acuamos um assustado Palmeiras. Assustado com a gana do adversário e com o peso de sua torcida, inspirada pelo espírito guerreiro do time.
O time atual não “cheira” a título, não leva jeito nenhum de time vencedor porque não briga pelos seus objetivos. Aliás, parece nem ter metas. Alguns atletas julgam que sua missão está cumprida com um ou dois títulos brasileiros, a despeito de terem fracassado vexa¬toriamente em Libertadores seguidas. Outros, vieram de fora “aposentados”, vagam em campo, figuras cadavéricas, que, como parasitas que são, movimentam-se lentamente, mas expõem o time à decomposição, sem que nada lhes seja exigido, com rigor, com pulso. Juvêncio, que ao menos nessas horas sabia impor sua autoridade, parece preocupado demais com o patético projeto do Morumbi para a Copa 2016, tantas vezes esculhambado pela FIFA.
Ricardo Gomes não demonstra personalidade para fazer a conduta mudar, como não demonstra um indício que seja de ter um “11” na cabeça ou uma estrutura tática convicta. Mudam as escalações, as formações, continua o desleixo, a desconcentração, a vagabundagem. E isso é, sim, culpa do técnico.
A fragilidade de alguns adversários faz com que o time pontue mesmo sem jogar nada. Aí, vem um adversário sutilmente melhor, um Santos (que tem uma defesa grotesca, mas um moleque mais agilzinho) ou… um Once Caldas, e apanhamos. Por superioridade do ad¬versário? Não, simplesmente porque o adversário quer mais, tem mais volúpia e enfrenta um time em que ninguém se mexe, não há ultrapassagens, não há deslocamentos, não há jogadas ensaiadas, não há surpresas.
Não há fanatismo no mundo que faça uma torcida empurrar o time, quando os jogadores não demonstram qualquer ímpeto e quando não há comprometimento – e olhe que a torcida do São Paulo está até paciente. Vimos o Flamengo, com seus “chinelos”, afundando em 2005, tomando de 6 do São Paulo no Rio e, com ameaça de queda e tudo, não havia mais de 7.000 torcedores no estádio.
Vimos o Corinthians prestes a ser rebaixado, no Pacaembu chuvoso, contra o Vasco – uma verdadeira final para os gambás escaparem da Segundona e o “bando de loucos” ficou mudo, depois xingou o time e esvaziou o estádio após o gol do Vasco. O time, além de ruim, não vibrava, não suava.
A força que vem da arquibancada é espontânea no início, mas só se mantém ou aumenta como reflexo da disposição que se vê em campo. Quando caímos em 1984 no Brasileiro para o Grêmio, no Pacaembu, a torcida inteira cantou o hino do clube, muitos choravam de emoção. Sabia-se que aquele time podia trazer muita alegria. E trouxe.
Quando perdemos do Inter em 2006, cantamos o hino, batemos no peito, respeitávamos aquele grupo, eram campeões derrotados depois de uma grande campanha (que acabaria em titulo se o técnico não fosse Muricy, mas aí é opinião minha). Havia tristeza, mas havia orgulho. Como não reconhecer que aquele grupo de 2006 lutou com brio, com garra? Quem não se lembra do Beira-Rio em silêncio nos últimos minutos, do medo da virada no rosto de cada colorado? Mesmo desfalcado de seus dois pilares do meio-campo (palmas a Tinga que, a mando de Abel, quebrou Mineiro aqui), mesmo saindo atrás, aquele time deu um sufoco danado no forte (e esperto, malicioso) Internacional.
Vi muito time do São Paulo perder e ser aplaudido, e outros tantos vencerem e saírem vaiados. A torcida – que existe em razão do TIME, da INSTITUIÇÃO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, e que nada deve a ninguém que vista essa camisa sem honrá-la – identifica o espírito de quem está em campo e decide se vira o polegar para cima ou para baixo. E a atitude de boa parte desse grupo – indolente e absolutamente descomprometida – leva boa parte de nós a optar pelo gesto que leve nossos dirigentes a entregar certos atletas aos leões.
Para muitos, como eu, bastaria entregar ao Leão… ou a outro que, mesmo não tendo o nome, soubesse rugir.
Não apenas o futebol, o esporte em geral, mas a história mostra que não há glória sem esforço, não há vitória sem dor, não há triunfo sem vontade. Como aqui falamos tão somente de futebol, não vamos exigir que atletas que, em sua maioria, importam-se no máximo com o iPOD e o Playstation 3 (que aliás, dá pau) se enfiem nos livros para saber dos exemplos históricos. Que alguém lhes mostre apenas quem eram e como jogavam Roberto Dias, Forlan, Terto, Paraná, Dario Pereyra, Chicão, Pintado, Raí, Josué, Mineiro, Lugano. Jogadores de níveis técnicos variados, alguns até risíveis nesse aspecto. Mas com uma alma capaz de empurrar um time para a vitória com muito mais força do que a habilidade pura e simples – aquela do Cirque Du Soleil.
Rogério Ceni está lá e é um excelente exemplo de tudo o que há de melhor em atitude, em respeito, em vontade de vencer. Mas talvez por ser goleiro, os caras não o vejam, estão de costas pra ele na maior parte do tempo.
VERGONHA NA CARA, RAPAZES.
SEJAM HOMENS E FAÇAM POR MERECER A CAMISA QUE VESTEM. ELA REPRESENTA ALGO QUE TEM UMA DIMENSÃO INIMAGINÁVEL PARA A ESMAGADORA MAIORIA DE VOCÊS.
PARA TER UMA RAZOÁVEL IDEIA DESSA DIMENSÃO, ASSISTAM AOS VÍDEOS QUE MOSTRAM COMO FOI A VOLTA DO SÃO PAULO AO BRASIL EM 2005, APÓS A CONQUISTA DO TRIMUNDIAL. TALVEZ VCS SE INTERESSEM EM SE ESFORÇAR UM BOCADINHO MAIS, PARA TER A SENSAÇÃO DOS JOGADORES QUE ESTAVAM SOBRE AQUELE CA¬MINHÃO QUE PAROU A MAIOR CIDADE DA AMÉRICA DO SUL.
NOTA DO COLUNISTA: “Triunfo da Vontade” é o nome do filme no qual a cineasta Leni Riefenstahl retratou o 4º Congresso do Partido Nacional Socialista Alemão (aos desavisados, o partido nazista) ocorrido em setembro de 1934. É um filme de propaganda política – e até hoje a construção de mitos eleitorais – inclusive Collor, Lula (sim, ele) e Barack Obama – se faz com base no modelo aperfeiçoado por Joseph Goebels, do qual o filme é a síntese – uma combinação de gestos calculados, oratória eloqüente com viés demagógico, monólogos viscerais alternados com momentos de exortação às massas, apoiado por uma sequência de cenas monu¬mentais, que transmitam a ideia de que a multidão que ali se aglomera representa, na verdade, a vontade de toda uma nação. Em tempo, os regimes comunistas, nos quais sequer houve processo de eleição, mas havia o culto à personalidade, copiaram o quanto puderam a megalomania midiática de Goebels – de Stalin a Fidel Castro, com direito a paradas militares com formações simétricas cansativamente coreografadas e gigantescos painéis exaltando os “salvadores da pátria”.
Reconhecido como uma obra inovadora da produção cinematográfica, com tomadas de câmera e ângulos nunca vistos anteriormente – o filme tem em seu título o apelo mais genial. Pois ao longo da história alemã, a vontade, o esforço, o trabalho sempre foi um valor de referência, um ponto de honra.
Vencer pela vontade, pela disciplina e por honra às tradições era o espírito das tribos bárbaras – dos godos que, comandados por Alarico, minaram as legiões até invadir Roma. Era o espírito explorado por Bismarck ao promover a unificação e levar a Alemanha à vitória contra os franceses na Guerra Franco-Prussiana.
Foi, bem ou mal, o canal através do qual Hitler atraiu milhões de desesperados para fora da inércia da República de Weimar, chamando as massas a uma reação contra as imposições do Tratado de Versailles, que afundaram o país no pesadelo econômico e no caos político que culminaram na ascenção do nazismo. Sua paranóia antissemita era quase “cultural” na Áustria dos Habs¬burgos, onde nasceu, mas por serem os judeus uma presença marcante à frente dos bancos, Hitler ainda explorou a situação para usá-los como bodes expiatórios, algo fácil ao atacar a elite econômica de um país que chegava a ter 22.000% ao mês de inflação. Na verdade, os próprios judeus eram retratados como a clara oposição às virtudes morais do alemão: lucravam com os juros de empréstimos, eram, no quadro manipulatório criado pelos nazistas, “agiotas impiedosos”, parasitando o sangue e o suor do trabalhador alemão.
Deixados de lado (como se fosse possível esquecer) as atrocidades, a corrupção, as absurdas infâmias daquele capítulo da história humana, o filme tinha, enfim, forte apelo ao sentimento alemão por valorizar a força da persistência em restaurar as glórias germânicas.
“O Triunfo da Vontade” é, sim, um filme sobre a ascenção do nazismo e um dentre tantos instrumentos de manipulação das massas – o que se lamenta sempre, especialmente neste caso, pelas terríveis conseqüências que teve. A cruel ironia, entretanto, é que seu sucesso reside no fato de ser, também, um documento sobre o valor que um povo atribui a uma verdadeira virtude moral: o gosto pelo trabalho, pela disciplina e pela dedicação ao próprio país. Não é à toa que, duas décadas após a derrota na I Guerra, a Alemanha já assombrava o mundo com seu poderio. Não é à toa que, pouco menos de uma década depois do debacle na II Guerra, o país demons¬trava caminhar para restaurar o status de potência, o que se confirmaria nos anos 60 – assim permanecendo até hoje.
Schopenhauer baseou toda a sua filosofia no princípio da vontade. Nietzche “matou” Deus – metáfora de todas as abstrações – em prol do pragmatismo do trabalho, sobretudo do trabalho braçal, do lavoro suado, do produzir. E Marx, embora sabidamente burguês e vivendo da riqueza de sua mulher, apoiou toda a concepção do Comunismo Científico no princípio de que a evolução da sociedade leva ao poder, necessariamente, quem tem a força do trabalho. Eram todos alemães e tinham histórias de vida, linhas de pensamento e atuação muito diferentes. Mas todos valorizavam o que o seu país sempre valorizou.
Voltando ao futebol, a própria Seleção Alemã encarna o espírito da determinação que supera limites. Venceram em 1954, 1974 e 1990. Nas três ocasiões, seus oponentes eram superiores – nas duas primeiras, francamente favoritos.
Não tenho simpatia pela ideologia estapafúrdia do Nazismo – nem tampouco pelos sofismas vazios e pela completa ausência de fundamentação das teorias marxistas. Ambas mataram milhões de pessoas – judeus nos dois casos, compatriotas em quantidade muito maior nos gulags de Stalin – ambas levaram seus países à ruína.
O tema aqui é Vontade, e a determinação germânica sempre chamou minha atenção, tanto no que tange à sua tradição guerreira como no que se refere a todas as contribuições que a Alemanha trouxe à literatura, à física, à música, à filosofia, à tecnologia.
A Vontade é a força motriz dessa nação. E admiro isso.
Dario Campos
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