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Coesão, cobertura, comprometimento - Dario Campos

Já não há muito o que dizer sobre o São Paulo da (Já) Era Ricardo Gomes. Mas sempre vale a pena insistir em certos temas, sobretudo quando o que é ruim se repete desavergonhadamente, sem que nada se faça a respeito.

Após o jogo contra o Corinthians, eu chamava atenção para a diferença de posicionamento e atitude dos dois times, evidenciada quando a TV fazia tomadas aéreas panorâmicas. Quando o São Paulo tinha a bola, os corinthianos aproximavam-se em bloco para reduzir os espaços. Pelo menos dois adversários aproximavam-se do são paulino que recebia a bola. E nossos jogadores estavam sempre estáticos, quase não se deslocavam. Na situação oposta, os rivais se deslocavam, alternavam posição, faziam diagonais, enquanto nossos jogadores a tudo assistiam guardando incompreensível distancia, como a que permitiu o chute limpo e sem marcação de Elias.

O que o Corinthians (e depois o Santos) mostrou chama-se coesão, o sistema defensivo mostrou senso de cobertura e o grupo mostrou comprometimento, assim como Mano Menezes, que se preparou para enfrentar o São Paulo.

Coesão, cobertura e comprometimento são três palavras-chave a qualquer time de futebol, sobretudo àqueles que querem se candidatar seriamente ao título de um torneio continental.

Ao São Paulo, claramente, sobravam as três qualidades, em 2005 – e 2006, quando a derrota foi honrosa, em jogos duros e, em grande parte ocasionada pela inteligente agressão de Tinga a Mineiro na primeira partida.

Ao São Paulo, claramente, faltaram as três em 2007, 2008 e 2009 na Libertadores. E continuam faltando. Fatos como a irresponsável entrada de carrinho de Richarlyson, no campo do adversário, em um local do campo onde nada aconteceria, evidenciam falta de comprometimento. A escalação de Richarlyson e a clara opção do time pelo empate, no segundo tempo, essa acomodação contra uma equipe frágil e absolutamente desprovida de força, é a mais pura demonstração da total ausência de comprometimento de Ricardo Gomes com a sua obrigação de técnico – a de raciocinar para fazer com que o time evolua. Aliás, a mesmice e a falta de atitude em relação a certos atletas já demonstram essa característica de RG há muito tempo.

A falta de coesão – os gigantescos espaços entre os setores e a morosidade, tanto no contra-ataque quanto na recomposição defensiva – é decorrente da falta de comprometimento de RG e do grupo. Assim como as infindáveis falhas de cobertura às costas dos laterais e quando se faz necessária a antecipação dos zagueiros. Se erram o tempo da bola, temos um atacante adversário sozinho na cara de Rogério Ceni, pois falta proteção à frente da zaga e é essa mesma proteção que se transforma em cobertura quando os zagueiros a abandonam.

O mais triste é que Mano Menezes faz de nosso desprezível rival a antítese de tudo isso. É um time com a cara da Libertadores, porque tem um técnico que trabalha muito e sabe tanto motivar e cobrar como estruturar taticamente uma equipe. Não para que seja criativa e fantasista. Mas para que seja sólida, dinâmica e eficiente. Para que tenha coesão, cobertura e comprometimento. Para que seja campeã.

Como Leão nos fez ser em 2005 – com a importante participação coadjuvante de Paulo Autuori. E com o fundamental protagonismo de Rogério Ceni, Diego Lugano, Josué e Mineiro – os pilares daquele time “cascudo” que nos enchia de orgulho. Mesmo quando não vencia.

Dario Campos

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